quinta-feira, 3 de outubro de 2013

A invençao da fome brasileira...

O APELO DISCURSIVO NO USO DA IMAGEM NORDESTINA DE FAMINTO: DA SUA INSTITUCIONALIZAÇÃO NO PROGRAMA DE MERENDA ESCOLAR À EDIFICANTE TECNOLOGIA DE GOVERNO NO BRASIL CONTEMPORÂNEO.


Cora Corinta Macedo de Oliveira



  
Resumo
O presente ensaio retoma a trajetória da pesquisadora e autora no estudo do discurso de fome no Brasil. Para tanto ela irá pressupor que as condições de produção do dito a fome brasileira termina por reduzir o Outro – o suposto faminto – ao seu próprio estomago; instituindo daí uma imagem de faminto distanciada da possibilidade de empoderar-se de um poder político, de decisões sobre a condução da construção da cidadania brasileira. A idéia imagética de faminto descritas em palavras estaria sendo produzida a partir dos anos 30 no paralelo da “descoberta da fome” pelo medico nutrologo Josuel de Castro e oportunizada para os dias de hoje pela mídia jornalística e televisiva e também via internet. A "fome brasileira” enquanto uma categoria totalizadora logrou-se capaz de abarcar em si os possíveis conceitos de desigualdades sociais operantes no Brasil, tornando-se hegemônica no discurso político governamental quando afirma que é a fome o mal maior em nosso país. Refletir sobre o sentido do dito “combate a fome brasileira” é o que se deseja neste ensaio de forma a sugerir pistas para a discussão sobre a violência institucional e seus desdobramentos nas relações sociais, particularmente quando se enfrenta as péssimas condições das escolas públicas das series iniciais, e os altos índices de “criminalidade” praticada por crianças e jovens no Brasil.


Palavras chave: fome brasileira; desigualdades sociais; etnografia; cinema novo; escola básica; violência.  



http://www.apantropologia.org/congresso2013/tema-de-congresso/