Ate os dez anos de idade não havia ido uma vez se quer com seus pais biológicos a um espaço religioso, qualquer que fosse. De sua mãe se lembra que ela sempre antes ao dormir a fazia rezar um pai nosso e uma ave maria e isso era tudo de uma rotina religiosa por suposto de caráter cristã. Não menos, havia sido batizada na Igreja Católica tendo como madrinha sua avó por parte de mãe e um senhor amigo da família por nome de Antonio como padrinho. Ambos presentes em sua memoria, a madrinha por excelência a quem atribui uma presença materna. e de quem herdou o gosto pelo cultivo de plantas medicinais; havia no quintal da Dinda um remédio pronto para qualquer emergência em saúde. Dela sim, lembra perfeitamente da sua frequência no Igreja Católica, praticamente uma beata, dada a frequência rotineira no espaço religioso das igrejas da cidade e preferencialmente uma do bairro aonde habitávamos. . Possivelmente desde tal influencia tenha a partir dos onze anos de idade participado da cerimonia de comunhão na Igreja Católica, vestida a rigor e portando uma vela branca quase maior que ela. Da presença da avó madrinha recorda de quando ocorreu a enchente na cidade natal no ano de 1967; o convívio com a avó se estreitou ai uma vez que a casa dela na beira do rio cachoeira foi levada pelas águas e ela foi se abrigar em casa de seus pais ai já separados e seu pai vivendo em uma outra casa e num bairro distante. Sua avó a tomou pela mão e foi com ela pela beira rio. As águas do rio deslizavam nos leitos numa velocidade estonteantemente fazendo com que ela apertasse com firmeza a mão da Dinda. Lembrar desta passagem a faz sentir ainda hoje passado décadas a sensação de proteção conferida no contato das mãos.
