A escola governamental para a escolaridade obrigatória de crianças nas series iniciais na Bahia em particular e Salvador especialmente é um espaço aonde as pessoas de bem - as professoras que nela atuam, por exemplo - NUNCA COLOCARIAM SEUS FILHOS PARA NELA ESTUDAREM. E sequer, talvez, possamos estar estarrecidos com tal negativa; o desafio de supostamente expor uma criança "de família" aos espaços pedagógicos das escolas governamentais seja algo por demais insuportável aos pais de uma forma geral (aqueles que podem bancar financeiramente seus estudos em escolas particulares) e mesmo aos remediados no esforço de se livrarem de tal infortúnio. Nisto há uma questão que não se cala entre nós: Se a criança que está sob a minha responsabilidade nos espaços pedagógicos nunca que será um filho ou filha minha (ainda que eu tenha filhos na idade escolar daqueles que estão sob a minha responsabilidade escolar), o que é aquela criança que trabalho diariamente na alfabetização e no letramento? Se eu quero o MELHOR para minhas "crias", e o MELHOR para as "minhas crias" neste caso é sempre e tanto a opção por uma ESCOLA PARTICULAR o que é a escola governamental para as series iniciais? Imaginemos então a cátedra mais renomada entre nós profissionais da pedagogia, o Mestre Paulo Freire contestando a tais questões... Na sua ausência, apelaríamos à sua memoria para indagar: Será que a recusa em afirmar - "Professora sim, Tia não", suscitaria um raciocínio que pudesse nutrir uma alteridade afetiva entre pares da escola governamental para series iniciais de forma a não categoriza-la como algo de PIOR!?. De pior em oposição ao MELHOR das escolas particulares. Ou não haveria nada, nada em si da sua vasta escritura que alimentasse uma reflexão dos espaços pedagógicos governamentais para series iniciais de crianças "pobres"?
(28/08/2015) Sua abordagem em Professora Sim Tia Não se distancia da tese de um perfil de identidade para "a TIA" que se filia por suposto a nossa herança lusitana: uma mulher celibatária, autoritária, defensora da ordem patriarcal - no que há do conservadorismo de lugares a serem representados, em particular pela mulher na submissão aos ditames de princípios sociais "burgueses" e à religião, - grosseiramente: uma monja!. Será que as mulheres pedagogas que lidam com crianças escolares nas series iniciais se portariam como tal frente a sua demanda educacional? "A Tia" não tem necessariamente nenhuma "responsabilidade educacional" com os sobrinhos e sobrinhas - eles tem seus pais!.
10/09/2015 E cá pra nós - a designação de TIA para referir no caso as professoras, não consta no calendário curricular das escolas . É dizer tem dia da Mãe, do Pai, de Avós e cade o dia da TIA? Um folclore!
Afinal o que pode haver, para além de qualquer argumento sobre a recorrência às péssimas condições de trabalho nas quais estão submetidas os profissionais das escolas governamentais na Bahia ("baixos salários"; excesso de atividades; "elevado numero de crianças por sala de aula"; "ausência de material didático"; ausência de recursos áudio visuais para a totalidade de crianças), de relevante no "comportamento" das crianças escolares de espaços governamentais que nos impedem de presencia-los aos "nossos filhos"?! Sem dúvidas que a presença delas demarca o que indicamos agora na CONDIÇÃO DE LETRADO DE RUA. As crianças que frequentam as escolas governamentais podem ter costumes e relações familiares que se distanciam da ordem escolar: no sentido exigido da disciplina; da concentração; do significado do futuro acadêmico universitário; da subserviência à docência pelo que representa da ordem evolutiva educacional escolar, e de uma possível função social do letramento oficial. Enfim, a que nos serve a alfabetização e o letramento oficial?
31/08/2015 Se perguntado para filhos de pessoas que detêm um oficio, uma arte, não necessariamente dependente da escolaridade como, por exemplo: um músico (ainda nos dias de hoje pode ter muito bom desempenho na viola e não dominar o letramento oficial); os trabalhadores da construção civil, eles podem estar empoderados do seu estar no mundo, respectivamente, entre músicos mais renomados; fazendo leituras de plantas e alcançando o discurso do engenheiro ou do arquiteto com firmes noções geométricas e prescindir digamos do fundamental II; a resposta nestes casos pode ser evasiva, afinal para quem está posta a circunstancia do desejar ser advogado, médico ou engenheiro?; e repetimos : a que nos serve a alfabetização e o letramento oficial, nos dias de hoje onde está prescrito seu caráter obrigatório (jurídico de responsabilidade civil) para seu cumprimento por e qualquer criança no minimo do Fundamental I - antigo primário; do Fundamental II; e do Segundo grau ou básico...? Argumentar tal obrigatoriedade para as crianças e mesmo para quem convive com elas (que respondem juridicamente por elas)- parece ser o desafio maior ao corpo técnico de profissionais da pedagogia e de toda a comunidade escolar, em particular nas escolas governamentais para séries iniciais. Considerando por suposto, que são pessoas detentoras na vida de um oficio, de uma arte e nisto seguem sobrevivendo alijados de uma "evolução" na escola oficial e distanciados do ato de ler a palavra escrita. E daí: Como responder para as crianças, e mesmos como seduzi-las para uma dada utilidade em suas vidas da alfabetização e do letramento oficial? Um primeiro movimento seria o de refletir "o como" "o quem" "o quando" se está mercando com elas (nos espaços pedagógicos escolares governamentais como se quer enfatizar) tal possibilidade?
(A alma encantadora das ruas http://www.dominiopublico.gov.br/download/texto/bn000039.pdf )