segunda-feira, 23 de janeiro de 2017

O "Movimento Negro" e o Movimento Feminista" apresentando o desfecho da condição de escritora de Carolina de Jesus

Os dois importantes movimentos estão postos aqui entre aspas pois se trata da resenha de representantes destes dois movimentos na sala de aula aonde discutíamos a presença entre nós da escritora Carolina de Jesus.  Tanto para um como para o outro há por certo uma vitimização pela vitimização da condição de mulher, negra, pobre... 

quinta-feira, 12 de janeiro de 2017

O inusitado Diario de Bitita

Diria uma pena que a escritora Carolina de Jesus então Bitita, por suposto, não gostasse de estudar - isto é da relação com a escola em si, sua dinâmica de escolarização e mesmo para quem faz a opção pelo autodidatismo o ato de estudar é um exercício para que deseja prosperar na arte de escrever. na literatura de fins artístico. O que seguramente  seguramente exige disciplina intelectual, introspecção cognitiva de formas a refletir sobre o que se ler para alem do significado de entretenimento que a leitura do texto impresso possa conferir aos amantes da leitura. Afirmaria que ela regalou-se na soberba do seu diferencial social como amante da leitura e encontrou nesta atitude uma redenção ao seu sofrimento de ser negra no Brasil. E de principalmente reconhecer-se como negra e com lucidez desde ainda criança perceber a discriminação e os maus tratos aos quais os povos negros estavam então sendo submetidos no Brasil. A exemplo da escolarização formal: "No ano de 1925, as escolas admitiam as alunas negras. Mas, quando as lunas negras voltavam das escolas, estavam chorando. Dizendo que não queriam voltar à escola porque os brancos falavam que os negros eram fedidos." (Diário de Bitita 1986-39). Falta na sua  escritura um amadurecimento a partir de outras leituras passiveis de existirem no tempo dela e pudesse dizer sobre ela para além dela mesma e  da sua vivencia. Possivelmente poderia aprofundar uma constituída tendencia presente nela da produção de uma escritura etnográfica em tons literário e por certo de caráter etnográfico à moda do renomado antropólogo brasileiro Gilberto Freire, por ela, salvo engano nunca citado. Não obstante ela cita Josué de Castro, o qual apresenta uma literatura mediada e de pouca qualidade literária fazendo dai uma oposição a escritura etnográfica freireana. Isto resenhado aqui após a leitura do último livro: "O diário de Bitita". Lembrando que este foi o segundo livro que li da referida autora. O primeiro foi A casa de Alvenaria. Esse parece mais uns manuscritos malditos que não disse para que veio e somente escancarou seu estado supostamente "anómico". Um livro de difícil leitura e se fosse a obrigação de estuda-lo por certo desistiria do intento...
O Diário de Bitita por sua vez, repetindo- seu ultimo livro, trouxe para mim uma perspectiva distinta. Ademais da excelência na qualidade do relato etnográfico se nota um detalhamento na seleção dos dados a serem relatados para o acesso dos seus leitores.   Valendo ressaltar ainda que gostar de ler é uma atividade recreativa em si. O estudar por sua vez tem caráter de obrigação, um labor para a ocupação do lugar, em particular, de intelectual. Neste sentido reafirmaria o caráter antropológico da literatura de Carolina de Jesus a qual se distancia daquela produzida pelo  renomado escritor Machado de Assis. Assis demostra somente se domínio com a arte de escrever. Não obstante a escritura machadiana alberga dados etnográficos quando ainda na tendência a ficção ele descreve com minucias o caráter daqueles que residiam na Casa Grande, sem por certo perder de vista o tom de denunciar a condição do negro no Brasil. Machado de Assis também um autodidata se diferencia de Carolina de Jesus pelo rigoroso estudo do idioma português, seu disciplinamento para dominar as letras e as formas do dizer. A escritura de Carolina de Jesus é completamente emocional ( a de Machado nos emociona por nos transportar a realidades e contextos) nos faz ter uma relação com ela em si. Poderia dizer até que ela se vitimiza e comove-nos a partir daí. Embora seja a realidade dos povos negros ela chama para si a dor e as limitações e obvio que está impossível toma-lo como uma ficção. Não com isso dizer que a ficção não contenha em si a verdade e a realidade. Mas de como a realidade Bitita é apresentada ao leitor escapa da possibilidade de uma nuance artística literária.  Neste caso vale questionar: a  que se deveu seu primeiro livro - Quarto de Despejo figurar como um best seller?
Retomando o Diário de Bitita, o que se qualifica aqui como uma etnografia em tons pós modernos, é inegável a necessidade dela de denunciar desde a sua própria carne a condição de povos negros no Brasil. O protagonismo da saga é dela e como tal afora a importância dos acontecimentos narrados parece não existir outras performances  vivenciadas pelos povos negros ademais do sofrimento a que estavam submetidos.  Afinal quais movimentos artísticos estariam demarcando a presença de negros no Brasil no inicio do século 20?


Atualizado em 23/01/2017 por Cora Corinta Macedo de Oliveira