A Valença da
Rua
Com este título nós no
Campus XV produzimos semestres atrás, uma Aula
Autografada onde a autora da proposta a mestre Cora de Oliveira
organizou uma mostra fotográfica com estudantes do curso de pedagogia cujo tema
foi os espaços públicos na cidade de Valença, no literal da RUA.
Não menos o dito A Valença
da Rua, - instiga desde então, a partir do seu caráter ambíguo, o literal do
dizer sobre as ruas da cidade de Valença no contraponto de afirmar o que é e o
que Vale a Rua: da dinâmica dos transeuntes valencianos que praticam sua
alteridade nela – por exemplo, mantêm a cultura de andar de bicicleta e ter
nela um meio de transporte do dia a dia a despeito da violência dos “donos da
rua” – os automóveis. A rua identificada
como o mais importante dos espaços públicos. O conceito RUA[1], sua “Valença” e a
possibilidade de refletir os espaços escolares municipais nesta cidade.
Com esta proposta de ementa
citada no parágrafo anterior a autora retoma esta temática para agora abordá-la
no componente curricular TEC Tópicos de Educação e Contemporaneidade no curso
de pedagogia do Campus XV UNEB.
Desde aqui vale ressaltar
que a construção do interesse para estudar as ruas da referida cidade aconteceu
a partir de 2004 quando Cora de Oliveira passa a exercer sua atividade
profissional de acadêmica na cidade de Valença. Conforme citado no segundo parágrafo
deste escrito, ela ficaria impactada com a quantidade de bicicletas que
circulavam nas principais ruas da cidade. Eram bicicletas que levavam por vez duas
a três pessoas e até quatro pessoas, geralmente de mesma família com destaque
para a composição com crianças. Tanto homens como mulheres ali carregavam e
ainda carregam outras pessoas e como já dito, principalmente crianças. Nisto
uma vez também na condição de ciclista a autora pode identificar o desprezo e a
empáfia de quem conduz seus carros nos mesmos espaços aonde circula as
bicicletas que impacientes esbravejam: “Quer morrer é?, porra! Este argumento
como o mínimo no uso de palavrões e forma de pressionar a liberação da Rua
pelas pessoas ciclistas – seja quem seja que as tivesse conduzindo. Vale
ressaltar que ao longo desta década não se observou nenhum esforço de poderes
governamentais para privilegiar o uso da rua tanto pelos pedestres, como pelos ciclistas
e agora motociclistas. Ao contrário o transito nas ruas, em especial naquelas
de maior trafego de pessoas, segue sem merecer um ordenamento que privilegiem
um uso equitativo. Isto a despeito da ênfase do discurso hegemônico no mundo dia
a dia exposto na mídia televisiva por exemplo o qual favorece o uso de
bicicletas e limita o acesso de carros seja garantido ciclovias seja reduzindo
o teto de velocidade em áreas citadinas de maior fluxo de pessoas.
Se tal posição nos leva a
apostar que o controle de ruas citadinas, favorecendo seu acesso tranqüilo e
horizontal à vários segmentos de pessoas que delas se utilizam para ir e vir em
seus dias e noites se constitui em um ponto decisivo no controle da violência em
sua expressão mais brutal – tirar a morte do Outro de forma abrupta. E avançamos
daí para a afirmativa de que tal postura governamental irá refletir em
particular nos espaços escolares. Isto por que: Quem na cidade de Valença
utiliza a bicicleta como meio de transporte? Quantas crianças as utilizam para
se deslocarem? Frear o
imperativo de lugar que identifica os carros como os “donos da
rua” poderá ocasionar uma educação mental na ordem patrimonialista de
motoristas?
Este por certo poderá ser um
encaminhamento para uma abordagem de A Valença da Rua. No mínimo um caminho
onde quem sabe num dia destes, qualificar uma discussão sobre o papel da
prefeitura municipal e de organismos governamentais outros para garantir um
principio de sociabilidade[2] como um marco de
possibilidade no respeito e na dignidade entre as pessoas que habitam e por ora
visitam a referida cidade. E como tal ele será desdobrado para uma descrição
mais minuciosa do atual uso das ruas na cidade de Valença. Por ora a proposta
fica como uma alternativa de estudo na temática A Valença da Rua, podendo estar
também sendo qualificada a partir da reflexão sobre os usos da Rua, localizando
nela os movimentos de alteridades entre os que nela transitam. Buscando responder:
Seria possível a partir de um estudo da Valença da rua identificar espaços
públicos dialógicos para uma reflexão do cotidiano de espaços escolares das
series iniciais? E espaços da educação infantil?
Para tanto seguiremos com o
conceito de Leitura de mundo em Paulo
Freire[3] reescrito em Mariza Lajolo;
demarcando uma escritura desde suas memórias, passando pelos sentimentos com as
paisagens, com os encontros que o contato com o conceito de rua poderá
proporcionar.
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