sábado, 4 de outubro de 2014

A Valença da Rua

Com este título nós no Campus XV produzimos semestres atrás, uma Aula Autografada onde a autora da proposta a mestre Cora de Oliveira organizou uma mostra fotográfica com estudantes do curso de pedagogia cujo tema foi os espaços públicos na cidade de Valença, no literal da RUA.
Não menos o dito A Valença da Rua, - instiga desde então, a partir do seu caráter ambíguo, o literal do dizer sobre as ruas da cidade de Valença no contraponto de afirmar o que é e o que Vale a Rua: da dinâmica dos transeuntes valencianos que praticam sua alteridade nela – por exemplo, mantêm a cultura de andar de bicicleta e ter nela um meio de transporte do dia a dia a despeito da violência dos “donos da rua” – os automóveis.  A rua identificada como o mais importante dos espaços públicos. O conceito RUA[1], sua “Valença” e a possibilidade de refletir os espaços escolares municipais nesta cidade.
Com esta proposta de ementa citada no parágrafo anterior a autora retoma esta temática para agora abordá-la no componente curricular TEC Tópicos de Educação e Contemporaneidade no curso de pedagogia do Campus XV UNEB.
Desde aqui vale ressaltar que a construção do interesse para estudar as ruas da referida cidade aconteceu a partir de 2004 quando Cora de Oliveira passa a exercer sua atividade profissional de acadêmica na cidade de Valença. Conforme citado no segundo parágrafo deste escrito, ela ficaria impactada com a quantidade de bicicletas que circulavam nas principais ruas da cidade. Eram bicicletas que levavam por vez duas a três pessoas e até quatro pessoas, geralmente de mesma família com destaque para a composição com crianças. Tanto homens como mulheres ali carregavam e ainda carregam outras pessoas e como já dito, principalmente crianças. Nisto uma vez também na condição de ciclista a autora pode identificar o desprezo e a empáfia de quem conduz seus carros nos mesmos espaços aonde circula as bicicletas que impacientes esbravejam: “Quer morrer é?, porra! Este argumento como o mínimo no uso de palavrões e forma de pressionar a liberação da Rua pelas pessoas ciclistas – seja quem seja que as tivesse conduzindo. Vale ressaltar que ao longo desta década não se observou nenhum esforço de poderes governamentais para privilegiar o uso da rua tanto pelos pedestres, como pelos ciclistas e agora motociclistas. Ao contrário o transito nas ruas, em especial naquelas de maior trafego de pessoas, segue sem merecer um ordenamento que privilegiem um uso equitativo. Isto a despeito da ênfase do discurso hegemônico no mundo dia a dia exposto na mídia televisiva por exemplo o qual favorece o uso de bicicletas e limita o acesso de carros seja garantido ciclovias seja reduzindo o teto de velocidade em áreas citadinas de maior fluxo de pessoas.
Se tal posição nos leva a apostar que o controle de ruas citadinas, favorecendo seu acesso tranqüilo e horizontal à vários segmentos de pessoas que delas se utilizam para ir e vir em seus dias e noites se constitui em um ponto decisivo no controle da violência em sua expressão mais brutal – tirar a morte do Outro de forma abrupta. E avançamos daí para a afirmativa de que tal postura governamental irá refletir em particular nos espaços escolares. Isto por que: Quem na cidade de Valença utiliza a bicicleta como meio de transporte? Quantas crianças as utilizam para se deslocarem?   Frear o imperativo de lugar que identifica os carros como os “donos da rua” poderá ocasionar uma educação mental na ordem patrimonialista de motoristas?  
Este por certo poderá ser um encaminhamento para uma abordagem de A Valença da Rua. No mínimo um caminho onde quem sabe num dia destes, qualificar uma discussão sobre o papel da prefeitura municipal e de organismos governamentais outros para garantir um principio de sociabilidade[2] como um marco de possibilidade no respeito e na dignidade entre as pessoas que habitam e por ora visitam a referida cidade. E como tal ele será desdobrado para uma descrição mais minuciosa do atual uso das ruas na cidade de Valença. Por ora a proposta fica como uma alternativa de estudo na temática A Valença da Rua, podendo estar também sendo qualificada a partir da reflexão sobre os usos da Rua, localizando nela os movimentos de alteridades entre os que nela transitam. Buscando responder: Seria possível a partir de um estudo da Valença da rua identificar espaços públicos dialógicos para uma reflexão do cotidiano de espaços escolares das series iniciais? E espaços da educação infantil?
Para tanto seguiremos com o conceito de Leitura de mundo em Paulo Freire[3] reescrito em Mariza Lajolo; demarcando uma escritura desde suas memórias, passando pelos sentimentos com as paisagens, com os encontros que o contato com o conceito de rua poderá proporcionar.





[1] Conceito de rua a ser dimensionado.
[2] Conceito de sociabilidade... 
[3] Freire, Paulo. A importância do ato de ler. 

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