Na continuidade do estudo sobre a escritora Carolina de Jesus, a intenção aqui é reafirmar sua condição humana. Para tanto esta posto um titulo ainda provisório de Ambição e sabotamento em Bitita - nome adjetivado da autora. Nos últimos quatro anos a presença midiática da "catadora de lixo" que "virou" escritora chamou-me à imaginação. Sim, pois nenhum outro movimento fiz para lê-la literalmente em sua coletânea de livros supostamente de caráter autobiográfico, dos quais o que tem merecido referencia e destaque é: Quarto de despejo. Não obstante, percebo na retomada midiática da sua presença literária no cenário brasileiro e internacional um tom para reduzi-la a sua condição trabalhista sem demarcar ou enfatizar a sua contribuição literária. E dizer, folclorizando-a. Como se não houvesse em si o movimento de lê-la, mas de vangloria-la como mártir ou como uma heroína na enfase das suas características físicas e sociais: negra, mulher, pobre e favelada. Nisto uma questão tem se impondo para mim: o que é a obra da referida autora? A que se deve sua condição de clássico desde seu livro Quarto de despejo entre os povos estadosunidenses? E, seguindo ainda sem lê-lo enfatizaria a veiculação midiática (e aqui dos estudantes que a estão lendo para apresenta-la em seminários) da imagem da pessoa da escritora sob um tom lamurioso e de consternação: "morreu pobre e no anonimato"; "morreu abandonada e sem reconhecimento"... Impondo-lhe uma condição de vitima, de coitada. Tirando-lhe por suposto uma condição humana conturbada e intrigada desde a sua fenomenal lucidez. Possuidora de uma lucidez estonteante se coloca cega frente as suas limitações intelectuais e aos seus sentimentos, em particular o da ambição. Afirmaria ser ela antes de tudo uma pessoa ambiciosa. Um sentimento que parece dar vez a sua principal diferenciação com os daqueles a quem ela dividia a convivência na favela do Canide. Alheia a si mesma ela se desnuda e se expõe sem nenhum pudor e sem tomar em conta a aritmética estética dos interesses e considerações daqueles que a festejavam. Um sabotar-se.
sábado, 29 de outubro de 2016
quarta-feira, 21 de setembro de 2016
Continuando a saga de: Carolina de Jesus e Machado de Assis: romances de um "estar" afro...
A atitude letiva de desvendar a literatura da escritora Carolina de Jesus tem rendido muitas emoções e daí proveitosos desdobramentos intelectuais. Vale ressaltar que tal leitura tem sido iniciada pelos grupos de estudantes do curso de pedagogia em incursões curiosíssimas. Em particular quando articulam uma referencia da referida escritora com uma das obras do renomado romancista também negro ou talvez "mulato" Machado de Assis. Pois bem começando a tratar dos contextos das leituras destacaríamos a incursão com os livros A casa de alvenaria e Helena - Jesus e Machado respectivamente. A eleição pelo grupo de estudantes por apresentar estas duas obras, se despropositada de uma relação temática, terminou por nos incitar o foco acadêmico na questão da formação das cidades brasileiras, em especial a cidade de São Paulo. E com isto as correlações possíveis tanto no conceito artístico com a produção musical do migrante Adoniram Barbosa; como no caráter acadêmico ...(por concluir o relato)
07/10/2016
A discussão sobre a formação das cidades nos levou, em outras oportunidades vividas, ao contato com os escritos de João do Rio desde seu incrível texto: A ALMA ENCANTADORA DAS RUAS produzido no inicio do século 20. Lê-lo de pronto acusou um pertencimento com o livro El animal Publico do espanhol Manuel Delgado ainda em 1999. Hoje sem estar em mãos do El Animal Publico se poderia questionar: Delgado conheceu a obra de João do Rio!? Deixando tais elucubrações para outro momento vale neste momento retomar a Casa de Alvenaria e Helena.Na posição de docente, contrariando a possível lógica de que caberia a ela ler primeiro, ou seja tomar conhecimento do seu conteúdo antes do grupo de estudantes se preferiria lê-los depois. Começamos por Helena. Se já houve por parte da docente uma leitura deste romance - ela não se lembra; não menos, aqui se ressalta o gosto pelo trato literário que Machado imprime no uso da língua portuguesa. E embora retrate na escrita o seu lugar geográfico - a cidade do Rio de Janeiro ele passeia com propriedade por outros lugares no Brasil e mesmo no mundo com uma propriedade visceral como se houvesse habitado com gosto de viajante cada um dos outros lugares distantes do Rio de Janeiro e por ele citados a exemplo da Espanha e Portugal. A sua escrita utiliza um português de Portugal: "alcova", "boceta", "bocetinha", almoço como desjejum. E se tratando de uma obra circundada no período escravocrata brasileiro podemos sugerir, sem recorrer a nenhum texto acadêmico que resenhe a obra machadiana, que ela sugere nutrir uma relação com a antropologia de Gilberto Freire quando descreve o cotidiano da "Casa Grande" instigando-nos a observar o caráter dos povos colonizadores no Brasil. Ele trata de descrever, sem economizar no português, os povos que habitam a "Casa Grande", e reserva uma ponta como figurinistas aos negros (da Senzala) que serviam à "casa grande" e compunham o roteiro da sua saga amorosa. E nela ele por certo consegue emocionar a todos os leitores vinculando-os sentimentalmente a uma vivencia imagética do sofrimento causando pelos desencontros familiares. E nos proporcionou um amadurecimento intelectual quando qualifica o imperativo de dar razão ao sentimento como uma forma de apropriação do si mesmo e das relações existenciais possíveis; para tanto, destaca-se um trecho da fala da personagem Helena quando diz: "Não são ideias, são sentimentos. Não se aprende; trazem-se no coração.". Também importante destacar a elegância com que o autor se distancia das personagens imprimindo uma ausência total de julgamentos, ele somente descreve, supostamente para efeito ficcional. Para finalizar indicaríamos sua apropriação com o labor educacional quando contextualiza as palavras"...professava...", e "...o tom pedagogo...". Ademais do debate de gênero por ele insinuado ao afirmar que: "Abaixo da cabeça máscula, havia um coração feminino" ; e em outra passagem dizia: "Você devia ter nascido, - Homem?" em diálogos entre as duas personagens principais.
Para a sequencia das leituras e guardando o quesito - descrição, tal forma também se inscreve nos escritos da autora Carolina de Jesus. E começamos a lê-la a partir de sua segunda obra: Casa de Alvenaria. No que principiamos a lê-la desde o conteúdo da Casa de Alvenaria identificamos um apego da autora para descrever o pós tudo fenomenal da repercussão da sua primeira obra - Quarto de Despejo. E nos veio a inquietação: Será que o nome Casa de Alvenaria estaria pertinente com o conteúdo, ou melhor seria dizer de... "Um ano na fama" ; ou como está sugerido no próprio texto na pagina 109: "Da favela para a Lua". E ao longo da fatigante leitura do conteúdo descrito pela autora o sentido de curiosidade indagava para saber: -Se ela havia lido a literatura produzida pelo nutrólogo Josué de Castro; - qual seria o posicionamento da autora frente as possíveis críticas favoráveis ou não ao Quarto de despejo; -e por fim, qual seria o conteúdo do livro - o então best seller QUARTO DE DESPEJO. Nisto, e diante da pouca descrição da formação das cidades para uma especulação nossa desde o significado estético de uma - casa de alvenaria, (embora não se poderia negar o conceito empregado pela autora para classificar o Quarto de Despejo na cidade de São paulo: "E que em 1948, quando começaram a demolir as casas térreas para construir os edifícios, nós os pobres que residíamos nas habitações coletivas fomos despejados e ficamos debaixo das pontes.") se pode sugerir que o conteúdo do livro pulsa para dimensionar talvez o que seja da auto estima da gente na favela e a condição de favelado em particular na década de 1960...
Um VIRAMUNDO... https://www.youtube.com/watch?v=18NdBWPGGMo ;
10/10/2016
Uma perspectiva sugestiva de uma retomada do movimento migratório imposto a partir dos anos de 1930 no cenário econômico brasileiro: "... fui residir na favela por necessidade. Com o decorrer dos tempos percebi que podia sair daquele meio. Era horroroso para mim presenciar cenas rudes que desenrolava-se na favela como se fosse natural. (...) Os favelados são colonos. Por ser expoliados pelos patroes abandonam o campo. Encontram dificuldades na cidade, que só oferece conforto e decência aos que tem empregos . Eles não podem acompanhar a vida atualmente. devido ao custo de vida são obrigados a recorrer ao lixo ou os restos da feira.". A condição de um dado alheamento existencial da escritora Carolina de Jesus nos recorda também a obra clássica de Clarice Lispector - A Hora da Estrela na saga da migração para habitar uma cidade grande (http://guiadoestudante.abril.com.br/estudar/literatura/hora-estrela-resumo-obra-clarice-lispector-698965.shtml ). Também Caetano Veloso poetizou a cidade de São Paulo com a música SAMPA - https://www.youtube.com/watch?v=qeDqXLkXvr4 ; E valendo visitar também o filme O Homem que virou suco - https://www.youtube.com/watch?v=FF70tq8QSS4
E se tratando que Carolina de Jesus tivesse uma origem interiorana e mineira podemos dizer que a atração para habitar a emergente metrópole brasileira - cidade de São Paulo, esse movimento esteve para além dos nordestinos. Dito isto, retomando o conteúdo da Casa de Alvenaria 'e contextualizando-o no momento social do Brasil dos anos de 1960 que identificava na "Democracia Racial" um caminho para o enfrentamento das questões étnicas desprivilegiadas neste caso para os povos negros se pode afirmar que dada as circunstancias da fama da autora ela ignorasse sua condição de mulher negra embora a todo momento afirmasse sua condição de mulher negra ou preta como ela indica. Ou seja, salvo engano ela se coloca como superior - a favela, por suposto, não era um lugar para ela e estabelece com o favelado uma distancia que a fragiliza em sua descrição assumindo com eles uma posição hierárquica "Eu" e os "Outros""O pretinho despediu-se e saiu contente como se tivesse realizado uma proeza."; - os pretos favelados: "Fiquei pensando nos pobres, porque eu já estou desligando dos pobres."; "Quando escrevi sobre os favelados fui apedrejada". Entretanto ela parece se subjugar a condição inferior, ou mesmo se sabotar na relação com o jornalista que a apadrinhou no sucesso do QUARTO DE DESPEJO" e particularmente quando comprou a Casa de Alvenaria : "Depois que comprei a casa é que chequei a conclusão que sou importante. [...] Agora sou alguém e posso receber visitas"; "Eu não queria esta casa, mas o repórter predomina. anula todos os desejos que manifesto. Mas, eu tenho que tolerá-lo. Foi ele quem me auxiliou-me, por isso prevalece."; "Recebi visita de uns pretos do interior e outros de São Paulo. Umas pretinhas vieram me visitar-me. Uma é pintora e aconselhou-me a alisar os cabelos. - Os jornalistas não deixam. - Credo! A senhora os obedece-os? - Quem não obedece não triunfa.". "Creio que devo ficar contente em nascer no Brasil, onde não existe ódios raciais.São os brancos que predominam. Mas são humanos e a lei é igual para todos. Se analisarmos os brancos mundiais, os brancos do Brasil são superiores."; "Devemos amar êste país onde não há preconceito de côr.". Paradoxalmente não nutria o conservadorismo do "valor" social do casamento, em contrapartida em nenhum momento a identificamos buscando uma carreira tipo de professora ou de funcionária pública e seguisse recorrendo sempre a sua "condição mendiga" e catadora de lixo como algo maior. Carolina de Jesus se expõe e parece à merce de interesses políticos que ela mesma não se dá por conta, em nome da sua ambição e literalmente para o que ela identifica como TRIUNFAR NA VIDA...
07/10/2016
A discussão sobre a formação das cidades nos levou, em outras oportunidades vividas, ao contato com os escritos de João do Rio desde seu incrível texto: A ALMA ENCANTADORA DAS RUAS produzido no inicio do século 20. Lê-lo de pronto acusou um pertencimento com o livro El animal Publico do espanhol Manuel Delgado ainda em 1999. Hoje sem estar em mãos do El Animal Publico se poderia questionar: Delgado conheceu a obra de João do Rio!? Deixando tais elucubrações para outro momento vale neste momento retomar a Casa de Alvenaria e Helena.Na posição de docente, contrariando a possível lógica de que caberia a ela ler primeiro, ou seja tomar conhecimento do seu conteúdo antes do grupo de estudantes se preferiria lê-los depois. Começamos por Helena. Se já houve por parte da docente uma leitura deste romance - ela não se lembra; não menos, aqui se ressalta o gosto pelo trato literário que Machado imprime no uso da língua portuguesa. E embora retrate na escrita o seu lugar geográfico - a cidade do Rio de Janeiro ele passeia com propriedade por outros lugares no Brasil e mesmo no mundo com uma propriedade visceral como se houvesse habitado com gosto de viajante cada um dos outros lugares distantes do Rio de Janeiro e por ele citados a exemplo da Espanha e Portugal. A sua escrita utiliza um português de Portugal: "alcova", "boceta", "bocetinha", almoço como desjejum. E se tratando de uma obra circundada no período escravocrata brasileiro podemos sugerir, sem recorrer a nenhum texto acadêmico que resenhe a obra machadiana, que ela sugere nutrir uma relação com a antropologia de Gilberto Freire quando descreve o cotidiano da "Casa Grande" instigando-nos a observar o caráter dos povos colonizadores no Brasil. Ele trata de descrever, sem economizar no português, os povos que habitam a "Casa Grande", e reserva uma ponta como figurinistas aos negros (da Senzala) que serviam à "casa grande" e compunham o roteiro da sua saga amorosa. E nela ele por certo consegue emocionar a todos os leitores vinculando-os sentimentalmente a uma vivencia imagética do sofrimento causando pelos desencontros familiares. E nos proporcionou um amadurecimento intelectual quando qualifica o imperativo de dar razão ao sentimento como uma forma de apropriação do si mesmo e das relações existenciais possíveis; para tanto, destaca-se um trecho da fala da personagem Helena quando diz: "Não são ideias, são sentimentos. Não se aprende; trazem-se no coração.". Também importante destacar a elegância com que o autor se distancia das personagens imprimindo uma ausência total de julgamentos, ele somente descreve, supostamente para efeito ficcional. Para finalizar indicaríamos sua apropriação com o labor educacional quando contextualiza as palavras"...professava...", e "...o tom pedagogo...". Ademais do debate de gênero por ele insinuado ao afirmar que: "Abaixo da cabeça máscula, havia um coração feminino" ; e em outra passagem dizia: "Você devia ter nascido, - Homem?" em diálogos entre as duas personagens principais.
Para a sequencia das leituras e guardando o quesito - descrição, tal forma também se inscreve nos escritos da autora Carolina de Jesus. E começamos a lê-la a partir de sua segunda obra: Casa de Alvenaria. No que principiamos a lê-la desde o conteúdo da Casa de Alvenaria identificamos um apego da autora para descrever o pós tudo fenomenal da repercussão da sua primeira obra - Quarto de Despejo. E nos veio a inquietação: Será que o nome Casa de Alvenaria estaria pertinente com o conteúdo, ou melhor seria dizer de... "Um ano na fama" ; ou como está sugerido no próprio texto na pagina 109: "Da favela para a Lua". E ao longo da fatigante leitura do conteúdo descrito pela autora o sentido de curiosidade indagava para saber: -Se ela havia lido a literatura produzida pelo nutrólogo Josué de Castro; - qual seria o posicionamento da autora frente as possíveis críticas favoráveis ou não ao Quarto de despejo; -e por fim, qual seria o conteúdo do livro - o então best seller QUARTO DE DESPEJO. Nisto, e diante da pouca descrição da formação das cidades para uma especulação nossa desde o significado estético de uma - casa de alvenaria, (embora não se poderia negar o conceito empregado pela autora para classificar o Quarto de Despejo na cidade de São paulo: "E que em 1948, quando começaram a demolir as casas térreas para construir os edifícios, nós os pobres que residíamos nas habitações coletivas fomos despejados e ficamos debaixo das pontes.") se pode sugerir que o conteúdo do livro pulsa para dimensionar talvez o que seja da auto estima da gente na favela e a condição de favelado em particular na década de 1960...
Um VIRAMUNDO... https://www.youtube.com/watch?v=18NdBWPGGMo ;
10/10/2016
Uma perspectiva sugestiva de uma retomada do movimento migratório imposto a partir dos anos de 1930 no cenário econômico brasileiro: "... fui residir na favela por necessidade. Com o decorrer dos tempos percebi que podia sair daquele meio. Era horroroso para mim presenciar cenas rudes que desenrolava-se na favela como se fosse natural. (...) Os favelados são colonos. Por ser expoliados pelos patroes abandonam o campo. Encontram dificuldades na cidade, que só oferece conforto e decência aos que tem empregos . Eles não podem acompanhar a vida atualmente. devido ao custo de vida são obrigados a recorrer ao lixo ou os restos da feira.". A condição de um dado alheamento existencial da escritora Carolina de Jesus nos recorda também a obra clássica de Clarice Lispector - A Hora da Estrela na saga da migração para habitar uma cidade grande (http://guiadoestudante.abril.com.br/estudar/literatura/hora-estrela-resumo-obra-clarice-lispector-698965.shtml ). Também Caetano Veloso poetizou a cidade de São Paulo com a música SAMPA - https://www.youtube.com/watch?v=qeDqXLkXvr4 ; E valendo visitar também o filme O Homem que virou suco - https://www.youtube.com/watch?v=FF70tq8QSS4
E se tratando que Carolina de Jesus tivesse uma origem interiorana e mineira podemos dizer que a atração para habitar a emergente metrópole brasileira - cidade de São Paulo, esse movimento esteve para além dos nordestinos. Dito isto, retomando o conteúdo da Casa de Alvenaria 'e contextualizando-o no momento social do Brasil dos anos de 1960 que identificava na "Democracia Racial" um caminho para o enfrentamento das questões étnicas desprivilegiadas neste caso para os povos negros se pode afirmar que dada as circunstancias da fama da autora ela ignorasse sua condição de mulher negra embora a todo momento afirmasse sua condição de mulher negra ou preta como ela indica. Ou seja, salvo engano ela se coloca como superior - a favela, por suposto, não era um lugar para ela e estabelece com o favelado uma distancia que a fragiliza em sua descrição assumindo com eles uma posição hierárquica "Eu" e os "Outros""O pretinho despediu-se e saiu contente como se tivesse realizado uma proeza."; - os pretos favelados: "Fiquei pensando nos pobres, porque eu já estou desligando dos pobres."; "Quando escrevi sobre os favelados fui apedrejada". Entretanto ela parece se subjugar a condição inferior, ou mesmo se sabotar na relação com o jornalista que a apadrinhou no sucesso do QUARTO DE DESPEJO" e particularmente quando comprou a Casa de Alvenaria : "Depois que comprei a casa é que chequei a conclusão que sou importante. [...] Agora sou alguém e posso receber visitas"; "Eu não queria esta casa, mas o repórter predomina. anula todos os desejos que manifesto. Mas, eu tenho que tolerá-lo. Foi ele quem me auxiliou-me, por isso prevalece."; "Recebi visita de uns pretos do interior e outros de São Paulo. Umas pretinhas vieram me visitar-me. Uma é pintora e aconselhou-me a alisar os cabelos. - Os jornalistas não deixam. - Credo! A senhora os obedece-os? - Quem não obedece não triunfa.". "Creio que devo ficar contente em nascer no Brasil, onde não existe ódios raciais.São os brancos que predominam. Mas são humanos e a lei é igual para todos. Se analisarmos os brancos mundiais, os brancos do Brasil são superiores."; "Devemos amar êste país onde não há preconceito de côr.". Paradoxalmente não nutria o conservadorismo do "valor" social do casamento, em contrapartida em nenhum momento a identificamos buscando uma carreira tipo de professora ou de funcionária pública e seguisse recorrendo sempre a sua "condição mendiga" e catadora de lixo como algo maior. Carolina de Jesus se expõe e parece à merce de interesses políticos que ela mesma não se dá por conta, em nome da sua ambição e literalmente para o que ela identifica como TRIUNFAR NA VIDA...
sábado, 16 de julho de 2016
Carolina de Jesus e Machado de Assis: romances de um "estar" afro...
Titulo do curso : Carolina de Jesus e Machado de Assis: romances de um "estar" afro...
No oportuno de ministrar um componente curricular que me autoriza circunscrever uma EMENTA me surgiu a ideia de estabelecer uma paralelo entre estas duas literaturas romancistas: Machado de Assis e Carolina de Jesus. Apostando numa proposta de atividade pedagógica que nos favoreça para o pensamento da atualidade das resenhas sobre o negro na sociedade brasileira e particularmente nas relações escolares sob a batuta do profissional da pedagogia, se delineia a seguinte ementa:
O estudo da obra artística literária da escritora Carolina de Jesus no paralelo da leitura machadiana que favoreça no pensamento pedagógico dimensões do "estar" negro ou estar afrodescendente no Brasil. Destacando desde o conteúdo da escritura características que possam transparecer no nosso cotidiano para uma versão afirmativa do "estar" negro. O uso do verbo "estar" em vez do "ser" esta posto com um sentido de abranger outras possibilidades no refletir sobre uma conflitada relação mestiça entre nós.
Temática central
Carolina de Jesus, sobre ela - tenho escutado muito falar. De último assisti a um documentário a informação de que a leitura de suas obras é praticada em escolas de series iniciais nos EEUU enquanto que entre nós a desconhecemos nas suas entre linhas literárias. Nisto eu me incluo, salvo as informações sobre ela; nunca li absolutamente nada e pois decidi lê-lá. Para tanto organizo a partir daqui uma leitura coletiva entre estudantes do curso de pedagogia junto ao componente curricular que ministrarei no semestre corrente. Ao contrario, o mesmo não posso dizer da literatura de Machado de Assis; de sua produção literária estou certa de que alimentou a minha formação intelectual e o empoderamento do sentido de "estar" negra ou "estar" na condição de afro descendente. A minha leitura sobre a obra machadiana iniciaria ainda na adolescência e se edificou na preparação para o vestibular. Sabia tanto da sua escrita que não titubearia em identifica-la desde fragmentos... Retoma-lo é rememorar tal empreendimento imagético: isto é o gosto pela literatura por ele produzida e seu sentido em mim do estar afro. Nisto vale questionar: como poderemos tecer entre estudantes do curso de pedagogia um conceito da literatura de ambos para uma compreensão do seu sentido no nosso cotidiano pedagógico? Quais características literárias poderíamos estar ressaltando?
Encaminhamento
A leitura dos romancistas sugeridos acontecerá em equipe ; a turma será dividida em quatro (4) grupos incluindo os turnos matutino e vespertino. Cada grupo escolhera um livro de cada autor ficando assim responsável pela leitura (individual para cada componente) de dois livros. A partir da leitura agenciada por comentários (resenhas), documentários entre outras abordagens produzidas sobre os autores sugeridos iremos produzir os seminários. Cada grupo (equipe) elaborara e apresentará o seminário. Também para elaboração do seminário será necessário reconhecer a posição de pedagog@s (minimo de dez por grupo) sobre a literatura de ambos. É dizer: Será que tais profissionais já leram Carolina de Jesus? já leram Machado de Assis? Saberiam estabelecer algum dado sobre a obra por eles produzidas? Importante que não seja uma entrevista pela entrevista, mas um bate papo aonde possamos identificar as pessoas (pedagog@s) abordadas.
Durante o semestre estaremos trabalhando para a produção do seminário elemento chave da avaliação do semestre.
Referencias:
Livros de Machado de Assis
- grupo A
- grupo B
- Grupo C
- Grupo D
Livros de Carolina de Jesus
- Grupo A
- Grupo B
- grupo C
- Grupo D
Serão construídas a partir da seleção pesquisada e elegida pelo conjunto de estudantes, não obstante desde aqui iniciamos a disponibiliza-la...
https://vinteculturaesociedade.wordpress.com/2013/05/15/a-literatura-afro-brasileira-e-seu-autor-maior-machado-de-assis/
Atualizado em 29/07/2016
segunda-feira, 11 de julho de 2016
Pipoca chegou!...
Ela se imaginar catando bosta canina nas ruas... Nunca! Olhava com desprezo para este gesto que cada dia mais se torna familiar entre por exemplo a gente soteropolitana residente no bairro da Barra cotidianamente andando com seus mais diversos tipos de cães. Sempre esteve afeita para os felinos. Não obstante tinha claro que tão logo estivesse residindo numa casa com quintal e jardim prontamente teria com ela uma espécie canina. Logo no primeiro movimento de habitar tal espaço, desde a construção da sua própria casa, uma vizinha da futura moradia foi logo lhe sinalizando. A cadela "Fome Zero" uma vira lata aqui da nossa rua (futura para ela - a autora da presente cronica) esta prenha e vai parir em novembro 2015.
Desde sempre ela dizia: - quero felinos da "raça" siamesa; agora para um canino por certo será um vira lata. E não titubeou em candidatar-se a adotar uma cria da cadela Fome Zero. Nisto ela estava certa de que no máximo em fevereiro de 2016 ela já estaria morando na sua casa de jardim e quintal. Qual nada! Ainda em julho de 2016 ela estava residindo num apartamento de cinquenta metros quadrados com a cadela que recebeu o nome de Pipoca e os dois felinos de nome : Leon (e) Tina. Para este momento desta saga ela deduziu que : OS CANINOS SÃO MENIN@S E OS FELIN@S SÃO VELH@S!
Isto pois desde...
terça-feira, 19 de janeiro de 2016
A "geração de nanicos" e o atual controle de natalidade "VIRÓTICO ZICA" no Brasil ... nordestino!
Na década de oitenta os epidemiologistas entre nós, nutriam a preocupação de que "a fome brasileira" iria ser a responsável pela "geração de nanicos" em particular no nordeste brasileiro. Um panico total. Pelo menos no meu juízo e na minha imaginação vivenciada então no espaço da formação universitária em "saúde pública". E desde ai me questionava: Seria a baixa estatura dos nordestinos a causa do suposto "atraso" econômico? da "miséria social" = esgotos a céu aberto, casas construídas sob péssimas condições? escolas que se assumiam como restaurantes para crianças que somente tinham na merenda escolar (que nunca chegava nas escolas) como sua principal refeição e suposta função escolar educacional?
Talvez meu assombro me levasse a me afastar de seguir meus estudos na área de saúde pública enquanto estudante de nutrição e preferir me especializar na área da nutrição clínica. Parecia e ainda me parece tão difícil estabelecer uma linha em saúde publica ou coletiva distinta do discurso hegemônico que privilegia a prestigiada "categoria" de "a fome brasileira" como em si reduzindo para ela toda a problemática da condição do estar "pobre" economicamente na sociedade brasileira.
Não menos a minha primeira viagem a Europa e particularmente vivendo por mais de um mês na Espanha seria suficiente para estranhar a hegemonia da relação entre "atraso econômico do pais" com a suposta "formação de nanicos" e a hegemonia da "categoria" a fome brasileira como tal para uma explicativa epidemiológica de tal atraso. Nisto indaguei: Como foi possível a Espanha com uma população que poderíamos grosseiramente classificar como "nanicos" pela baixa estatura da sua população prosperar economicamente? (Valendo ressaltar a formação de uma "população de nanicos" no Brasil, particularmente no nordeste teve como medida os índices de crescimento e desenvolvimentismo físico de povos estados unidenses) . E dai para atualidade de outros povos...
Por outro lado desconhece por parte de governos brasileiros um programa de controle de natalidade. Por ironia o único em vigor parece ser aquele de extermínio de populações de crianças e jovens denunciados principalmente por movimentos sociais filiados ao discurso afrodescendente. E paralelo aos altos índices de mortalidade de jovens surge o controle " virótico zica" de natalidade. Posto na ordem do medo de gerar uma criança portadora de microcefalia...
Por outro lado desconhece por parte de governos brasileiros um programa de controle de natalidade. Por ironia o único em vigor parece ser aquele de extermínio de populações de crianças e jovens denunciados principalmente por movimentos sociais filiados ao discurso afrodescendente. E paralelo aos altos índices de mortalidade de jovens surge o controle " virótico zica" de natalidade. Posto na ordem do medo de gerar uma criança portadora de microcefalia...
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