Na década de oitenta os epidemiologistas entre nós, nutriam a preocupação de que "a fome brasileira" iria ser a responsável pela "geração de nanicos" em particular no nordeste brasileiro. Um panico total. Pelo menos no meu juízo e na minha imaginação vivenciada então no espaço da formação universitária em "saúde pública". E desde ai me questionava: Seria a baixa estatura dos nordestinos a causa do suposto "atraso" econômico? da "miséria social" = esgotos a céu aberto, casas construídas sob péssimas condições? escolas que se assumiam como restaurantes para crianças que somente tinham na merenda escolar (que nunca chegava nas escolas) como sua principal refeição e suposta função escolar educacional?
Talvez meu assombro me levasse a me afastar de seguir meus estudos na área de saúde pública enquanto estudante de nutrição e preferir me especializar na área da nutrição clínica. Parecia e ainda me parece tão difícil estabelecer uma linha em saúde publica ou coletiva distinta do discurso hegemônico que privilegia a prestigiada "categoria" de "a fome brasileira" como em si reduzindo para ela toda a problemática da condição do estar "pobre" economicamente na sociedade brasileira.
Não menos a minha primeira viagem a Europa e particularmente vivendo por mais de um mês na Espanha seria suficiente para estranhar a hegemonia da relação entre "atraso econômico do pais" com a suposta "formação de nanicos" e a hegemonia da "categoria" a fome brasileira como tal para uma explicativa epidemiológica de tal atraso. Nisto indaguei: Como foi possível a Espanha com uma população que poderíamos grosseiramente classificar como "nanicos" pela baixa estatura da sua população prosperar economicamente? (Valendo ressaltar a formação de uma "população de nanicos" no Brasil, particularmente no nordeste teve como medida os índices de crescimento e desenvolvimentismo físico de povos estados unidenses) . E dai para atualidade de outros povos...
Por outro lado desconhece por parte de governos brasileiros um programa de controle de natalidade. Por ironia o único em vigor parece ser aquele de extermínio de populações de crianças e jovens denunciados principalmente por movimentos sociais filiados ao discurso afrodescendente. E paralelo aos altos índices de mortalidade de jovens surge o controle " virótico zica" de natalidade. Posto na ordem do medo de gerar uma criança portadora de microcefalia...
Por outro lado desconhece por parte de governos brasileiros um programa de controle de natalidade. Por ironia o único em vigor parece ser aquele de extermínio de populações de crianças e jovens denunciados principalmente por movimentos sociais filiados ao discurso afrodescendente. E paralelo aos altos índices de mortalidade de jovens surge o controle " virótico zica" de natalidade. Posto na ordem do medo de gerar uma criança portadora de microcefalia...
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